domingo, 7 de dezembro de 2014

15/03/1970
BOA VONTADE - IV

P - Como o Centro Espiritual Universalista interpreta os versículos 21 a 24, capítulo segundo, do Evangelho de Jesus segundo São Lucas?

R - Vamos reler:
         21 - Decorridos os oito dias, ao cabo dos quais tinha o menino de
         ser circuncidado, foi ele chamado Jesus, o nome que  o  Anjo  lhe
         dera antes de ser concebido no seio materno.   22 - E,  passado   o
         tempo da purificação de Maria, segundo a lei de Moisés,   o  leva-
         ram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor, 23 - de acordo
         com o que está escrito na lei: "Todo primogênito  será  consagra-
         do ao Senhor", 24 - e para oferecerem, o sacrifício que  era  devi-
         do, conforme a mesma lei, duas rolas ou dois filhotes de pombos.

Estes fatos constituem uma lição para os que se revoltam contra o jugo que a religião impõe, para os que querem destruir a lei em vez de cumpri-la, quando para a Humanidade se abre, na época predita, uma era nova, transitória. Vedes que os "pais" de Jesus se conformaram com a lei estabelecida, e a ela submeteram o "recém nascido". 

A lição é esta: nunca provoqueis o escândalo, isto é, não escandalizeis vossos irmãos, eximindo-vos repentinamente ao jugo que pesa sobre eles. Quando tiverdes de reconstruir um monumento servindo-vos dos materiais de outro, prestes a desmoronar, não empregueis a dinamite, porque - estilhaçados - os materiais voariam longe, ocasionando graves acidentes. Ao contrário: tirai cuidadosamente, pedra por pedra, depositai-as no chão separando as que não prestarem, para lançá-las ao refugo. 

Feita a escolha, iniciai a obra nova, substituindo por outras - boas e sólidas, capazes de sustentar os ângulos, as pedras que o tempo haja estragado. Pois o mesmo se dá com a renovação moral: NÃO SE DEVE, DE UM MOMENTO PARA O OUTRO, SUBVERTER AS CRENÇAS, CALCANDO AOS PÉS SEUS PRECONCEITOS. Caindo sobre vós seus destroços vos poderiam ferir. 

Cumpre deslocá-los um a um, conservar com muito cuidado as pedras verdadeiras, que devem sustentar o edifício, e rejeitar todas as falsas, que lhe causariam o desmoronamento. As pedras verdadeiras, que deveis conservar, são a fé em Deus, a submissão à sua Lei, quaisquer que sejam a língua em que a expliquem e a forma de que seja revestida. Assim, seja qual for o culto em que tenhais nascido, se ele vos ensina o amor a Deus (pouco importando o nome que se dá ao Criador), se vos ensina a prática da Caridade, as pedras são verdadeiras: conservai-as. 

Mas rejeitai, pouco a pouco, sem abalos, tudo o que estiver fora da Lei Divina, agora sintetizado no Novo Mandamento de Jesus. Só de acordo com este Mandamento é que será dado a cada um de acordo com suas obras. Os clericais, pertençam a que seita pertencerem (todo culto conta, no seu clero, um  pessoal obstinado e tenaz com bom número de aderentes) vão bradar anátemas contra esta profissão de fé. Ela, entretanto, é do Cristo, e solapa todos os sectarismos do Anti Cristo, pois é chegado o tempo em que, obedientes à Lei de Deus, os homens - sejam quais forem os cultos exteriores, que ainda agora os dividem e os separam - caminharão unidos e irmanados, sob a mesma bandeira: - Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei e amo!

Mas, digam o que disserem, anatematizem e persigam os CRISTÃOS DO CRISTO, que podem eles com seus dogmas, suas tradições e cerimônias contra a Obra Progressiva de Jesus e a Vontade Eterna de Deus? Falam à alma? Não, porque os homens saem das  igrejas tão maus quanto entram nelas. Falam, portanto, apenas aos sentidos. Os sentidos, porém, se embotam e se pervertem. Que resta então? Em geral (considerando as massas), autômatos que se ajoelham, homens ou crianças sem a Fé nascida da Verdade, aos quais, ao saírem dos templos, levam consigo os mesmos vícios que traziam ao entrarem, e que são originários destas fontes: a avareza, a preguiça, a inveja, o orgulho, o egoísmo, a hipocrisia, a cólera, a intemperança, o sensualismo, a luxúria, a maledicência, a calúnia, a incredulidade, o materialismo, a intolerância, o fanatismo. Estas é que são as pedras falsas, que se devem retirar, porque o edifício desmorona sobre todas as mentiras que os sustentem.

A fé perfeita, a prática permanente do Novo Mandamento, a caridade imaculada - eis aí as únicas pedras angulares: conservai-as rijas e sem jaça. 

P - Como devemos traduzir e compreender estas palavras do versículo 21, referentes a Jesus: "antes de ser concebido no seio materno"?

R - Tais palavras significam: antes que Ele se houvesse colocado nas mãos de Maria Virgem, sua mãe aos olhos dos homens. Essas palavras humanas do versículo 21 foram a consequência das crenças que deviam, como já vos explicamos, ter curso, e o tiveram, no meio das multidões. Isto é, aos olhos dos homens, Jesus foi, durante a sua missão terrena, fruto da concepção humana, tendo Maria por mãe e José por pai; e - depois de desempenhada tal missão - fruto de uma concepção chamada "divina", "milagrosa", no seio de uma virgem - no seio de Maria - por obra do Espírito Santo. 
    
       
             

sábado, 6 de dezembro de 2014

14/03/1970
BOA VONTADE - III

P - Disse o Espírito da Verdade, referindo-se aos magos: "Tinham mais curiosidade de verificar um fato duvidoso do que plena confiança nas palavras do Anjo". Daí devemos concluir que receberam uma revelação espiritual?

R - Sim, explicaremos este ponto quando tratarmos da visita dos magos a Belém.

P - Quais o sentido e o alcance destas palavras do versículo 14: "Glória a Deus nas alturas, Paz na Terra aos homens da Boa Vontade de Deus"?
 

R - Nas alturas (no mais alto dos céus) exprime a elevação indefinível do Altíssimo. Homem da Boa Vontade de Deus são os que se consagram ao serviço do Senhor, não vivendo em retiro ocioso e fazendo macerações, mas consagrando a inteligência, a força e o tempo ao bem de seus irmãos, glorificando o Criador pelo trabalho, que é a prece do coração, pela caridade e pelo amor.

P - Por estas palavras do versículo 15: "Logo que os Anjos se retiraram para o céu" se deve entender: "Logo que os bons Espíritos se afastaram no espaço e deixaram de ser visíveis aos pastores"?

R - Sim, mas há uma explicação mais preciosa ou mais exata: logo que cessou o estado de êxtase em que se achavam os pastores; logo que, voltando à opressão da carne, eles deixaram de ver. 

P - Que devemos entender pela expressão "o céu", com relação a Deus e para Deus?

R - Não procureis nessa expressão, de que tanto abusam as religiões, um lugar determinado, onde o Senhor se localize. Muito mesquinho é o espírito humano para pretender encerrar o Infinito no céu, como um potentado em seu palácio! 

Como explicar-vos a vós que não podeis fazer ideia da imensidade sem limites, o que sejam Deus, sua grandeza, seus atributos, o infinito das suas perfeições? Não podendo definir um ideal dessa magnitude, alguns homens cujas ideias ultrapassavam as do vulgo, quiseram fazer Deus tão grande que lhe "aniquilaram" a personalidade! Outros, confinados na estreiteza de suas cerebrações, o fizeram tão pequeno que as igrejas, que lhe edificaram são vastas demais para o conterem!

Adotai o termo médio entre estas duas hipóteses: DEUS É, NA IMENSIDADE, O INFINITO. Porque o ESPÍRITO é de tal modo puro que bem poucos Espíritos podem vê-lo, frente e frente; de tal modo poderoso que irradia por todos os mundos SEM JAMAIS SE DIVIDIR, conservando sua individualidade eternamente indivisível.

Para inteligências limitadas como as vossas, só podemos comparar materialmente Deus com o Sol que vos ilumina, centro único para o vosso planeta - (claro é um termo de comparação) - de luz, de calor, de vida e fecundidade, quer se mostre aos vossos olhos em todo o seu brilho, quer o encubram os sombrios vapores que se elevam da superfície da terra. Deus, o ponto individual - central no infinito, em torno do qual gravitam todos os mundos do Universo, espalha sobre todos eles o seu calor, a sua vida, a sua luz, a sua fecundidade inconcebível, mas bem poucos podem gozar da fecundidade de lhe ver os raios luminosos! Os vapores que se evolam de vossas almas culposas formam ainda uma atmosfera espessa, através da qual alguns desses raios passam, de quando em quando, geralmente depois de uma tempestade, para vos lembrar que, logo que as nuvens borrascosas se tenham dissipado, Ele brilhará por sobre vós, em toda a sua pureza, em todo o seu esplendor.

Pobre linguagem humana, que poder é o teu para exprimir pelas palavras DEUS, o Ideal, o Imenso, o Infinito, o Eterno? O céu é imensidade sem limites em que se movem todos os seres, na ânsia de se aproximarem do centro de atração universal - DEUS - a cujos pés se vem grupar tudo aquilo que é perfeito. 

Mais adiante, no momento oportuno, vos daremos as explicações que deveis receber, com relação a Deus quando tratarmos do Evangelho de João.

P - Em face do versículo 17, quais o sentido e o alcance dos versículos 18 e 19?

R - A aparição do Anjo aos pastores, a daquela multidão da milícia celeste, a narração que os mesmos pastores fizeram do que viram e ouviram, tinham por objeto e por finalidade esclarecer cada vez mais os homens, chamar ainda mais a atenção e as meditações de Maria para a natureza e importância da sua missão, e dar a todos a confirmação de que aquele menino que Deus lhe confiara e do qual ela se acreditava mãe, por uma operação divina, era o Cristo, o Messias prometido, anunciado - desde Moisés - pelos profetas da Lei Antiga.

 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

13/03/1970
BOA VONTADE - II

P - Falando da revelação feita,  primeiro aos pastores, depois aos magos, disse o Espírito da Verdade: "destinada a transpor todas as classes; começando pelos degraus inferiores de escala, terá de subir até ao ápice". Que significam estas palavras?

R - São um conselho e um exemplo que vos dão. Deveis, antes de tudo, LEVAR A BOA NOVA AOS DESERDADOS DO VOSSO MUNDO, que são os mais ansiosos, sem todavia esquecerdes as classes (entre vós) mais elevadas. Vêdes, no Evangelho, que o Anjo avisa aos pastores e se retira, por saber que eles têm o coração simples e reto. Ele os vigia, mas invisivelmente; ao passo que conduz os magos, mostrando-lhes sempre ao longo do caminho, a estrela que os guiará. E ele os conduz assim por saber que as grandezas mundanas os podem desviar e, portanto, é preciso mantê-los continuamente atentos. 

Que o Anjo que os avisou vos sirva de exemplo: imitai-o. Consagrai àqueles de vossos irmãos, que o mundo considera ínfimos, as primícias dos vossos cuidados e a maior parcela da vossa Boa Vontade. Mas nem por isso desprezeis os "felizes" da Terra, porquanto a eles é que se aplicam no seu verdadeiro sentido, estas palavras, cujo significado as interpretações humanas falsearam: "Muitos os chamados, poucos os escolhidos".

Muitos os chamados e poucos os escolhidos, sim, porque bem poucos sabem aproveitar os meios que a Bondade Divina lhes pôs nas mãos, para progredir e impulsionar o progresso de seus irmãos. Sem dúvida, a felicidade na Terra é uma provação mais suave que a pobreza e a miséria, MAS TAMBÉM MUITO MUITO MAIS DIFÍCIL DE SER LEVADA A TERMO. 

Felizes do mundo,  escutai: as riquezas que possuís, não vos foram distribuídas para satisfação vossa; não é para vossa ventura que os acontecimentos estão sempre de acordo com os vossos desejos e necessidades. Não! Não é para o vosso gozo material, para incrementar o vosso orgulho, o vosso egoísmo. Nas riquezas tereis de procurar um benefício moral vindouro. Os bens terrestres vos são concedidos como instrumento, meio de amor e caridade para com vossos irmãos, de progresso moral e intelectual para eles e para vós. A esses bens, que Deus vos emprestou, deveis dar um emprego generoso e útil. Não devem servir para desfrutardes vida voluptuosa, mas para suavizardes os sofrimentos dos desgraçados.

Não devem contribuir para viverdes na ignorância e na preguiça, mas para adquirirdes a ciência que o estudo, sempre tão dispendioso, vos pode proporcionar; depois tereis de espalhar esse benefício, de mãos cheias, GRATUITAMENTE, por aqueles que carecem de recursos, ou para fazerdes que outros espalhem fartamente a educação tão necessária ao povo, se - por ser limitada a vossa inteligência - não puderdes realizá-la. Não é para vosso regalo exclusivista que tendes esses bens.

Não deveis dizer, jamais: "Tenho sorte, minha estrela brilha sempre, tudo me sorri". Primeiro deveis agradecer a Deus o vosso destino; depois, que este se reflita sobre todos aqueles que, menos felizes, estão sujeitos a provações morais e materiais, às vezes tão pesadas! A todos esses, sem tardança, dai o excesso da vossa fortuna. Consolai, alentai, moralizai, ponde-vos na situação dos que sofrem, ajudai-os a suportar o peso de seus infortúnios, não superficialmente, com os lábios apenas, mas com amor que vem do fundo do coração. 

Praticai a justiça, o amor e a caridade, em todos os sentidos - material, moral, intelectual e espiritual. Então, sim, não mais vos diremos MUITOS OS CHAMADOS, POUCOS OS ESCOLHIDOS, porque do Alto o Senhor vos lançará um olhar de complacência. E, assim como o ímã atrai o ferro, Ele vos atrairá ao seu amor, para receberdes a coroa dos eleitos.


 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

12/03/1970
BOA VONTADE - I

P - A Doutrina do Centro Espiritual Universalista (CEU) é de uma clareza impressionante. Agora, sentimos a grandeza da sentença de Jesus: "Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará". Qual a explicação do CEU para os versículos 8 a 20, capítulo segundo, do Evangelho de Lucas?

R - Esta é a passagem evangélica:
              8 - Ora, havia no país muitos pastores, que passavam as noites 
               no campo, revezando-se na guarda dos seus rebanhos.   9  -  De
               repente, um Anjo do Senhor lhes apresentou,   a   claridade  de
               Deus os envolveu, e eles se sentiram preso  de   grande   temor.
               10 - Então, o Anjo lhes disse: "Não  tenhais  medo,  pois  venho
               trazer-vos uma notícia que, para vós, como para  todo  o povo,
              será motivo de grande alegria: 11 - é que, hoje, na cidade  de Da-
              vid, nasceu o Salvador que é o Cristo, o Senhor.   12 - Eis o sinal
              que vos fará reconhecê-lo: encontrareis um menino envolto em
              panos, deitado numa manjedoura".    13 - No   mesmo   instante
              reuniu-se ao Anjo uma multidão de milícia celeste, louvando  o
              Senhor e dizendo: 14 - Glória a Deus nas alturas,  Paz  na  terra
              aos homens da Boa Vontade de Deus! 15 - Logo que os Anjos  se
              retiraram para o céu, os pastores disseram entre si: - Vamos até
              Belém para verificar o que acaba de ser dito, o que aconteceu  e
              o Senhor nos mostra, 16 - partiram apressadamente,  e  encon-
              traram Maria, José e o menino deitado na manjedoura.  1 7 - E,
              tendo-o visto, reconheceram a verdade do que lhes  fora  dito a 
              respeito daquele menino. 18 - E todos aqueles,   que os ouviam,
              se admiravam do que era contado pelos pastores.       19 - Maria
             prestava atenção ao que diziam, e tudo guardava no seu coração.
             20 - E os pastores regressaram, glorificando e louvando ao   Se- 
             nhor Deus, por tudo quanto tinham visto e ouvido, conforme ao
            que lhes fora anunciado.

Em primeiro lugar, quanto à aparição do Anjo aos pastores, e quanto às palavras que lhes dirigiu, a mediunidade esclarece como puderam eles ver e ouvir: eram videntes e audientes. No que se refere à luz, à claridade que os envolveu, enchendo-os de grande temor, a explicação é a seguinte: sob a ação e a influência do magnetismo espiritual, achando-se em estado de êxtase por efeito de um completo desprendimento, portanto com a visão desimpedida, os pastores viram os fluidos ambientes, que para vós são incolores, mas para nós espalham grande claridade.  ELES OS VIRAM COMO NÓS OS VEMOS, porque essa claridade, relativa ao grau de elevação, de adiantamento do Espírito, para este não deixa de existir e de ser por ele percebida, qualquer que seja sua inferioridade (trata-se de mau ou sofredor), se não quando permanece nas trevas. Não compreendendo a causa simples de tal claridade (cláritas Dei), que olhos comuns não podem distinguir senão em casos excepcionais, em situações como aquela em que eles se encontravam, os pastores tomaram por uma luz divina, manifestação do próprio Deus, a  luminosidade dos fluidos ambientes: por isso mesmo, lhe deram a designação de "claridade de Deus". 

A ciência terrestre, por meio do magnetismo humano e do sonambulismo, já observou (com auxílio de sonâmbulos suficientemente lúcidos e impressionáveis), a luz, a claridade que os fluidos magnéticos e elétricos, em estado latente, espalham em derredor; assim como a luminosidade dos corpos, a luminosidade que apresentam sob a forma de vapor luminoso, os objetos, os metais, a madeira. 

E a ciência, por meio do magnetismo humano e do sonambulismo, com o auxílio de pacientes em condições semelhantes às que apresentavam os pastores, será levada a dar testemunho desse estado luminoso dos fluidos ambientes, fonte de grande e permanente claridade para os Espíritos errantes. Daí decorre que, para eles, não há noite, nem obscuridade, nem opacidade dos corpos, não existindo no espaço obstáculos ou barreiras que lhes detenham a visão espiritual.    

Aquela fração da milícia celeste não era mais que a multidão dos bons Espíritos prepostos à manifestação espiritual. Por efeito da mediunidade vidente e auditiva, os pastores os viram e escutaram as palavras que conheceis como O CÂNTICO DOS ANJOS, o qual - depois de atravessar tantos séculos - ainda ecoará pelos séculos vindouros: - Glória a Deus nas alturas, Paz na terra aos homens da Boa Vontade de Deus!

Um ensino resulta do confronto que se estabeleça entre o que ocorreu com os pastores e que se deu com os magos: O HOMEM JAMAIS DEVE ORGULHAR-SE DA POSIÇÃO QUE OCUPE NO MUNDO, PORQUE - DIANTE DE DEUS - O MENOR PODE SER O MAIOR. 

Quais as pessoas que receberam, primeiro, a notícia do nascimento de Jesus?
Humildes pastores que viviam sem instrução (e sem orgulho) no seio da natureza, aprendendo no seu livro imenso os segredos da divindade. São ignorantes? Mas sabem crer, amar e esperar. Tanto basta para serem considerados dignos de receber, antes de tanta gente culta e importante a Boa Nova de Deus.

Os dois pontos se extremam: depois deles, são os magos, os sábios, os poderosos, que recebem a Revelação destinada a transpor todas as classes: começando pelos degraus inferiores da escala, terá de subir ao ápice. Os magos também criam, mas neles a fé não era tão pura. Tinham mais curiosidade de verificar um fato duvidoso do que plena confiança nas palavras do Anjo. Todavia, também eles vêm ajoelhar-se diante do menino trazendo-lhe os tributos que se ofereciam ao Senhor. 

É que, sem o compreenderem, sentem que aquele menino, se de fato existe, deve ser de uma essência superior à deles, para causar tamanha expectativa. Seria o Messias tão anunciado desde Moisés? Estaria ali na forma de uma criança, o próprio filho de Deus?
       
 
 
          

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

11/03/1970
OBRA DO ESPÍRITO SANTO - VIII

P - Há um ponto obscuro que gostaríamos de ver aclarado. Tendo José e Maria, como tinham, parentes e conhecidos em Belém, de que modo se explica terem de se acolher a um estábulo e ali deitarem o menino na manjedoura, por não haver lugar, para eles, na hospedaria?

R - Explica o Espírito da Verdade: grande era a afluência de viajantes, a ponto de exceder os limites da hospitalidade, mesmo na hospedaria. Os hebreus, sobretudo os de ínfima classe, não construíam casas para si mesmos como se fossem príncipes. Morava em Belém um irmão de José; mas não tendo sido avisado de sua vinda, não pode recebê-lo, porque outros hóspedes ocuparam toda a sua casa. José não era esperado: não devendo afastar-se de Maria, atento à sua adiantada gravidez (aos olhos dos homens), seu irmão é que iria fazer por ele as declarações exigidas pela lei. De fato, estando certo de não poder ir pessoalmente, José incumbiu seu irmão Matias de inscrevê-lo no registro censitário, assim como sua mulher e o filho, que então já teria "nascido" e seria varão, pelo aviso que recebera do Anjo.

Não era crível que Maria, em tão adiantado estado de gravidez, se aventurasse àquela caminhada. Por isso ninguém a esperava. Mas, impelida pelo Espírito, para empregar a expressão das próprias Escrituras, isto é, sob a inspiração do seu Anjo da Guarda, ela resolveu, à última hora, empreender a viagem. ERA PRECISO que Jesus "nascesse" daquele modo, exatamente assim, num lugar miserável, longe dos homens e de todos os socorros, a fim de dar impressionante exemplo de humildade, para que também se simplificassem as circunstâncias que lhe haviam de cercar o "nascimento", como já vos explicamos.

Logo que a afluência de forasteiros diminuiu, ela foi recebida pelos parentes, em casa do irmão de José. A notícia de que o menino "nascera" imediatamente se espalhou, passando de boca em boca, como todas as notícias que os homens transmitem. Zacarias e Isabel tiveram aviso do fato, não por esta forma, mas por intermédio de José. Ambos se apressaram a adorar o menino Jesus. Destituídos, porém, de utilidade para a obra evangélica, seus atos e palavras nessa ocasião foram postos de lado, sepultados no silêncio: é que, tendo desempenhado sua missão, os dois voltaram a obscuridade. 

Assim, não mais se falaria deles, e realmente não se falou mais, verificando-se o mesmo com relação a todos os outros Espíritos reencarnados, que haviam pedido a graça de participar da obra de redenção que Jesus vinha executar.

P - Por que tantos teólogos negam a Lei da Reencarnação? E qual a diferença entre REENCARNAÇÃO E METEMPSICOSE?

R - Os teólogos que negam a Lei da Reencarnação lhe opõem a teoria chamada Criacionismo, isto é, as almas são criadas diretamente por Deus, no instante do nascimento das criaturas humanas. Esta idéia é esposada pelos teólogos católicos, para explicar que Jesus e Maria não estavam sujeitos ao pecado original, porque suas almas foram criadas especialmente por Deus. Que importa? Nem por isso deixa de existir uma Lei Universal, mais antiga que o vosso mundo.

Quanto a metempsicose, convém reler o que diz o cânon 1º ao 5º Concílio Ecumênico de Constantinopla: "Se alguém acredita na lendária preexistência das almas, que tem, como consequência, a idéia monstruosa de que elas voltam, com ocorrer do tempo, aos seu estado primitivo, seja condenado".

Como vêdes, o que aí se condena, evidentemente, não é a REENCARNAÇÃO, mas a METEMPSICOSE, que ensina poderem as almas voltar a viver nos animais. Ora, isto condenamos todos nós, como absurdo ou monstruoso, porque o Espírito não pode retroceder: é Lei de Deus.
 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

10/03/1970
OBRA DO ESPÍRITO SANTO - VII

P - Agora, compreendemos porque Jesus afirmou que João era o maior dos nascidos de ventre de mulher: porque este não foi o caso do Cristo de Deus. Que diz mais a respeito, o Espírito da Verdade?

R - A gravidez de Maria foi apenas aparente e fluídica, por obra do Espírito Santo, isto é, dos Espíritos prepostos a essa obra, os quais operaram por meio do magnetismo espiritual. 

Sim, o "aparecimento" de Jesus, efetuado de acordo com a vontade de Deus, apropriada ao nível das inteligências daquele tempo, sob o véu de um nascimento apenas aparente, foi manifestação espiritual, tangível, IGUAL ÀS QUE SE PRODUZEM EM TODAS AS ÉPOCAS E AINDA HOJE PODEIS OBSERVAR. A única diferença a registrar entre aquela e estas manifestações, é que ali, o perispírito, muito humanizado pela ação poderosa do Mestre sobre os fluidos que vos cercam era - com todas as aparências da vida terrestre - apto a conservar uma longa tangibilidade, que existia ou cessava ao arbítrio do Cristo, conforme ao exigido pelo tempo, oportunidade e atos da sua missão entre vós.

Estava reservado ao Paráclito dizer-vos tudo aquilo que a Humanidade não podia entender, quando Jesus desceu à Terra, mas que, veladamente, se encontrava nas palavras com que o Anjo fez a anunciação à Virgem Maria e, em sonho, advertiu a José. Estava-lhe reservado levantar o véu quando fossem chegados os tempos; colocar no corpo da letra (que agora mata) o Espírito (que vivifica); explicar o erro que a letra e a ignorância dos séculos haviam de engendrar (e engendraram) até aos vossos dias, enfim ensinar-vos a verdade que o progresso das inteligências já vos permite receber e guardar. 

É preciso repetir: Jesus não tomou um corpo material humano, formado no seio de uma virgem,  com derrogação das Leis naturais, imutáveis que regulam a reprodução do vosso planeta e nos outros mundos materiais; A VONTADE DE DEUS JAMAIS DERROGA AS LEIS DA NATUREZA QUE ELE PRÓPRIO FORMULOU DESDE TODA A ETERNIDADE. Não, Jesus não tomou um corpo humano material igual aos vossos, por obra de Maria e José. Afirmar ao contrário seria inquinar de falsidade e impostura o que a ambos disse o Anjo enviado por Deus. 

O Paráclito vem explicar, em Espírito e Verdade, as palavras do Anjo do Senhor, mal interpretadas porque as tomaram ao pé da letra, com  ignorância do sentido que devia ser dado a estas proposições: "Aquele que nela se gerou foi formado pelo Espírito Santo. - O Espírito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra". O Paráclito vem substituir o erro pela verdade; vem ensinar aos homens que, como obra do Espírito Santo, isto é, dos Espíritos do Senhor, tudo foi espiritual, estranho a qualquer ato humano, material - regido pelas leis da encarnação no vosso planeta - quer se trate da concepção no seio de uma virgem, dando lugar a uma gravidez apenas aparente (devida a um a ação fluídica emanada daqueles Espíritos); quer se trate do parto, por sua vez também aparente, destinados uma e outro - como já o explicamos fartamente - a produzir ilusão em Maria e gerar nela crença em fatos que devia considerar reais e atestar; quer se trate, finalmente, do aparecimento de Jesus sob o aspecto de uma "criancinha" tal como teria acontecido, aos olhos dos homens, num "nascimento real".

De uma vez por todas, esse aparecimento (obra e feitos espirituais) se produziu pelo emprego e combinação de fluidos superiores e inferiores de acordo com as LEIS NATURAIS E IMUTÁVEIS que vos temos revelado, mediante a aplicação e a adaptação dessas leis.  

E agora, uma palavra final em resposta aos que citam a Primeira Epístola de João, em seu quarto capítulo, para afirmar que "são falsos profetas os que negam ter Jesus vindo em carne ao vosso mundo". Não quis o Evangelista referir-se ao corpo do Cristo, mas à condição humana que tomou (verbo feito carne), para o cumprimento da sua missão sacrificial. Visava ele aos que, até hoje esperam a vinda do Mestre, enquanto nós já anunciamos a sua volta.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

08/03/1970
OBRA DO ESPÍRITO SANTO - VI

 P - Agora sabemos que só o Espírito da Verdade pode restaurar a beleza da Segunda Revelação, libertando da ignorância a pobre Humanidade. Podemos saber mais a respeito do corpo de Jesus?

R - A cada era - uma Revelação, progressiva e apropriada às necessidades dos tempos, ao estado das inteligências e aos reclames da época. Revelação velada pela letra, quanto convenha, mas sempre vos ensinando a Verdade, gradualmente, na medida do que podeis receber e conservar, levantando, pouco a pouco, a ponta do véu que a esconde aos vossos olhos.

Jesus trazia um corpo semelhante ao vosso, como bem o disseram os Apóstolos: "Seu corpo não tinha a aparência do vosso? E suas necessidades aparentes não foram as mesmas?" Sim, Jesus teve um corpo semelhante ao vosso, mas não da mesma natureza. Seu nascimento foi obra do Espírito Santo, por isso que seu aparecimento foi preparado por uma gravidez aparente e, portanto, por um parto também aparente, obra - uma e outro - dos Espíritos do Senhor, executada como já vos explicamos.

TAL APARECIMENTO SÓ JESUS PODIA FAZER: aquela missão lhe competia, primeiro, como responsável que é pelo progresso humano, depois, por ser, entre os Espíritos elevados (sob a sua direção) consagrados à obra do progresso da Terra e da sua Humanidade, o único, pelo seu poder nas altas regiões siderais, capaz de assimilar aos do vosso planeta os fluidos superiores que servem para a formação dos corpos nos mundos fluídicos, e - desse modo - constituir o corpo misto de que usava, quase material e que, aos vossos olhos, se afigurava o corpo do homem terrestre; finalmente, por ser o ÚNICO REALMENTE CAPAZ DE MANTER UMA EXISTÊNCIA APARENTE NA TERRA.

Efetivamente, Jesus, Espírito perfeito, puro entre os mais puros de quantos, sob a sua direção, trabalham para o vosso progresso, vossa regeneração, vossa transformação física, moral e intelectual, a fim de vos conduzir à perfeição; Jesus, não sujeito a encarnar em nenhum planeta, conhecia todos os fluidos adequados a produzir o aparecimento por incorporação e a encarnação em TODOS OS MUNDOS, quer materiais, quer fluídicos; Jesus conhecia também as leis universais, naturais e imutáveis, suas aplicações e apropriações.

Só Ele, portanto, tinha a ciência e o poder de construir para si mesmo, de baixo da aparência corporal humana, aquele invólucro de natureza perispirítica, apto a longa tangibilidade, destinado a lhe servir para o desempenho da sua missão entre vós. SÓ ELE TINHA O PODER DE DEIXAR ESSE CORPO E DE O RETOMAR A TODO INSTANTE, mantendo os elementos que o compunham, sempre prontos a se reunirem ou dissociarem, por ato exclusivo da sua Potente Vontade. Já o dissemos e repetimos: Jesus não se revestiu de um corpo material humano como o vosso: SUA ESSÊNCIA ERA DEMASIADO PURA PARA PODER SUPORTAR O CONTATO COM A MATÉRIA, ASSIM COMO VÓS É IMPOSSÍVEL SUPORTAR UM ODOR FÉTIDO.

Quanto mais pesada a matéria, tanto mais constringe o Espírito. Revestido do invólucro material humano, o Espírito (seja, embora, um Espírito Superior, que o tome para desempenhar missão entre vós) é mais ou menos falível: sua vida não decorre sem que um ou outro deslize lhe empane o brilho. Entre vós ainda se encontram Espíritos em missão, suportando o peso da carne.

Mas, já pela sua natureza espiritual, já pela sua posição crística, tal escravidão não podia nem devia sofrer Jesus, pois - mesmo quando visível entre os homens, segundo os períodos e necessidades da sua missão - tinha a consciência perfeita da sua origem e a certeza absoluta do futuro, COMO GOVERNADOR E PROTETOR DO VOSSO PLANETA, presidindo a vida e a harmonia universais em todos os reinos da natureza, constantemente em relação com Deus, transmitindo pelos seus mensageiros, hierarquicamente, ordem a todos os Espíritos Prepostos à obra de engrandecimento da Humanidade terrena.

Já o dissemos e repetimos: esse fato do aparecimento entre vós, de um Espírito por incorporação - ÚNICO ATÉ HOJE NOS ANAIS DO VOSSO MUNDO - vai-se repetir brevemente.

E quando se repetir, sabereis que soou a hora da regeneração anunciada pelo Cristo e desde longe, por nós preparada e continuada. Ouçam os que têm ouvidos de ouvir, e todos aqueles que, cheios de orgulho, mas ignorantes das Leis Divinas, naturais, universais e imutáveis, e do que se refere aos fluidos, suas propriedades, seus efeitos, suas combinações, apropriações e transformações, SEMPRE DE ACORDO COM AQUELAS LEIS, para a produção de seres por incorporação ou encarnação nos planetas, tanto materiais quanto fluídicos, que povoam a imensidade - ouçam todos os homens: não neguem o que não podem compreender nem explicar!  

 

  A DOUTRINA DO CEU   P – Qual a Doutrina do Centro Espiritual Universalista da LBV?   R – Ela unifica, neste fim de ciclo, todos os...