quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

01/05/1970
DEUS E A VIDA UNIVERSAL - XV

P - A Doutrina do CEU, da LBV, liquida a "magia" do materialismo dialético, que ainda fascina tanta gente, no mundo inteiro. Agora, todos sabemos que a VERDADEIRA IGUALDADE é muito diferente. Que diz o Espírito da Verdade?

R - Um único é, originalmente, o ponto de partida PARA TODOS OS ESPÍRITOS: formação primitiva e rudimentar pela quintessência dos fluidos, substância tão sutil que por nenhuma expressão podem vossas inteligências limitadas fazer idéia perfeita dela: quintessência que a vontade de Deus anima para lhe dar o ser e que constitui a essência espiritual (princípio de inteligência), destinada a se tornar - por uma progressão contínua - Espírito. ESPÍRITO FORMADO, isto é, inteligência independente, dotada de livre arbítrio, consciente de sua vontade, de suas faculdades e de seus atos.

Segue-se a encarnação, ou melhor - a co-materialização dessas essências espiritual mediante a sua união íntima com a matéria inerte, primeiro no reino mineral e nas espécies intermediárias que participam do mineral e do vegetal; depois no reino vegetal e nas espécies intermediárias que participam do vegetal e do animal. Desse modo, numa contínua marcha progressiva, se opera o seu desenvolvimento, que a prepara e conduz às raias da CONSCIÊNCIA DA VIDA.

Em seguida, vem a encarnação no reino animal, depois nas espécies intermediárias que, do ponto de vista do invólucro material, participam do animal e do homem, adquirindo assim aquela essência (ESPÍRITO EM ESTADO DE FORMAÇÃO), sempre em progressão contínua, a consciência da vida ativa exterior, da vida de relação, o desenvolvimento intelectual que a levará aos limites do PERÍODO PREPARATÓRIO QUE PRECEDE O RECEBIMENTO DO LIVRE ARBÍTRIO, da vida moral, independente, responsável, característica do livre pensador.

Chegados, quanto ao desenvolvimento intelectual, ao ponto em que recebem o dom precioso (e perigoso) o livre arbítrio, os Espíritos, IGUAIS SEMPRE, TODOS NO ESTADO DE INOCÊNCIA E DE IGNORÂNCIA, se revestem do perispírito que recobre a inteligência independente. Essa operação de revestir o perispírito (que, do vosso ponto de vista material, se deveria chamar envoltório) constitui então, PARA TODOS, UMA ENCARNAÇÃO FLUÍDICA.

Todos, puros nesta fase de inocência e de ignorância, igualmente submetidos a Espíritos encarregados de os guiar e desenvolver, têm a liberdade dos seus atos e podem, no estado fluídico, progredir sempre, até à Perfeição, mediante conquistas espirituais contínuas e sucessivas.

É o caso do estudante que, sempre dócil e atento à voz, às lições e conselhos dos Guias, passa por todas as classes e chega a tomar o grau. Eles podem, todavia, cometer uma falta e, dessa forma, provocar e receber o castigo, a punição a que faz jus ao culpado, MAS SOMENTE AO CULPADO. Dá-se, então, o que sucede com o estudante que, insubmisso, culposo e rebelde, pela sua própria falta provoca e recebe a punição, o castigo de ser expulso e ir, noutro estabelecimento de ensino, noutro meio e noutras condições, percorrer a fieira de todas as classes, até alcançar o grau.

A muitos Espíritos acontece falir - já o dissemos - PORQUE QUASE TODOS FAZEM MAU USO DO LIVRE ARBÍTRIO. Alguns, porém, dóceis aos preceptores incumbidos de os guiar e desenvolver, seguem simples, gradualmente pelo caminho reto. Os primeiros sofrem uma punição, UM CASTIGO QUE TERIAM PODIDO EVITAR. 

É para experimentarem as consequências da falta cometida que, conforme ao que explicamos, uma vez preparados, eles entram na encarnação humana, de acordo com o grau de culpabilidade e nas condições apropriadas, sempre, às exigências da expiação e do progresso - ora em terras primitivas, ou em mundos já habitados por Espíritos que faliram anteriormente, exatamente o caso do vosso planeta, diluindo a tenda de Adão e Eva: quando a raça adâmica surgiu entre vós, a Terra já possuía muitos habitantes de outras raças. Pois, se houvesse em vosso mundo apenas um casal de brancos, seria impossível explicar a existência dos negros.  

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

30/04/1970
DEUS E A VIDA UNIVERSAL - XIV

P - O autor da mesma opinião analisada pelo Espírito da Verdade, continua assim:
      "A encarnação humana é uma necessidade para o Espírito que, desempenhando missão providencial, trabalha pelo seu próprio adiantamento, por efeito da inteligência e da atividade que lhe cumpre empregar, para prover a sua existência e o seu bem-estar. Mas a encarnação humana se torna um castigo quando o Espírito,  por não ter feito o que devia, se vê constrangido a recomeçar a tarefa e multiplica suas vidas corporais, penosas por culpa sua. 
      Um estudante não chega a tomar o grau senão depois de haver passado pelas fileiras de todas as classes. Percorrer essas classes constitui, porventura, um castigo para ele?
       Não: é uma necessidade. 
       Se, porém, por preguiça, o estudante é obrigado a permanecer nelas o dobro do tempo, aí está o castigo. Poder livrar-se de algumas, ao contrário, representa bastante mérito. A verdade, pois, consiste em que a encarnação na Terra só é, para muitos dos que a habitam, um castigo, porque esses - podendo tê-lo evitado - duplicaram, triplicaram, até centuplicaram, por culpa própria, o número de suas vidas terrenas, retardando desse jeito o momento de entrarem nos mundos melhores. Assim, é errônea admitir, em princípio, a encarnação humana como um castigo". 
Que devemos pensar de tais conclusões?

R - Esclarece o Espírito da Verdade: 
      - Errôneo, ao contrário, é admitir que a encarnação humana seja UMA NECESSIDADE, tanto para o Espírito que, investido do livre arbítrio no estado de inocência e de ignorância, jamais faliu, por não fazer dele mau uso, pois, sempre dócil ao seus Guias, trilha o caminho que eles indicam, para progredir; como para aquele que, indócil, rebelde e obstinado, faliu pelo mau uso desse mesmo livre arbítrio. 

Sim, errôneo, ao contrário, é admitir que a encarnação não seja, em princípio, UM CASTIGO, POR EFEITO DE UMA CULPA QUE O TORNOU NECESSÁRIO. Os que formaram essa opinião errônea ainda não foram esclarecidos, ou não refletiram bastante sobre a natureza e o objeto dos mundos que os encarnados habitam, como planetas de expiação e de progresso; sobre a origem do Espírito e sobre as diversas fases por que ele passa no estado de formação. 

Sobretudo, ainda não refletiram acerca destas duas situações bem marcadas e que devem ser perfeitamente distinguidas: a situação em que, no estado de formação, o Espírito segue a sua contínua marcha progressiva, até chegar à condição de ESPÍRITO FORMADO, isto é, de inteligência independente, dotado de livre arbítrio, cônscio de sua vontade, das suas faculdades, da sua liberdade e, portanto, da RESPONSABILIDADE DOS SEUS ATOS; e a situação em que, como Espírito formado, ele se encontra num estado de inocência e de ignorância, podendo - ou usar o livre arbítrio no sentido de trilhar constantemente o caminho que lhe é indicado para progredir, ou fazer mau uso dele, sob a influência do orgulho, da presunção, da inveja, e se tornar, por isso mesmo, indócil, culposo, revoltado, podendo, em suma, falir ou não falir.

A encarnação é uma necessidade para o Espírito no estado de formação; é indispensável ao seu progresso, ao seu desenvolvimento, como meio de lhe proporcionar e ampliar gradualmente A CONSCIÊNCIA DE SER, o que ele não conseguirá senão pelo contato com a matéria. É a união desses dois princípios que dá lugar ao desenvolvimento intelectual. 

Fique, portanto, bem claro: a encarnação é uma necessidade até ao momento em que, alcançando certo ponto de desenvolvimento intelectual, o Espírito está apto a receber o precioso dom - mais tão perigoso - do livre arbítrio. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

29/04/1970
DEUS E A VIDA UNIVERSAL - XIII

P - Desejamos que o Espírito da Verdade analise esta opinião, formulada nos seguintes termos: 
      "Do mesmo modo que, para o Espírito em estado de formação, a materialização nos reinos mineral e vegetal e nas espécies intermediárias (e, igualmente, a encarnação no reino animal e nas espécies intermediárias), É UMA NECESSIDADE e não UM CASTIGO resultante de falta cometida, TAMBÉM  PARA O ESPÍRITO FORMADO, que já tem inteligência independente, consciência de suas faculdades, responsabilidades dos seus atos (livre arbítrio), e que se encontra no estado de inocência e ignorância - a encarnação, primeiro em terras ou mundos primitivos, depois nos mundos inferiores e superiores - ATÉ QUE HAJA ATINGIDO A PERFEIÇÃO - É UMA NECESSIDADE e não UM CASTIGO". 
Que devemos nós concluir de tudo isso?

R - Responde o Espírito da Verdade:
      A encarnação humana NÃO É UMA NECESSIDADE, e sim UM CASTIGO, diante das Leis Divinas que já analisamos. E o castigo não pode preceder a culpa. O Espírito não é humanizado (também já o explicamos) antes que a primeira falta o tenha sujeitado à encarnação humana. Só então ele é preparado (como, igualmente, já o demonstramos) para lhe sofrer as consequências. 

A opinião que submeteis à nossa análise, na vossa pergunta de hoje, se fundamenta por esta maneira:
    "Segundo um sistema que, à primeira vista, denota algo de especioso, os Espíritos não teriam sido criados para encarnar materialmente; a encarnação humana NÃO seria mais que o resultado de uma falta. Tal sistema cai pela simples consideração de que, SE NENHUM ESPÍRITO HOUVESSE FALIDO, NÃO HAVERIA HOMENS NA TERRA NEM SERES NOS OUTROS MUNDOS. Ora, sendo a presença do homem necessária, como é, para melhoria material dos mundos, visto que ele concorre - pela sua inteligência e pela sua atividade - para a execução da obra geral, claro está que o homem é um dos meios essenciais da Criação.
    Não podendo Deus subordinar o acabamento de sua obra à queda eventual das suas criaturas, a menos que contasse previamente com um número suficiente de culpados, para alimentar os mundos criados e por criar, o BOM SENSO repele semelhante modo de pensar".

A última frase deve ser riscada. O bom senso, ao contrário, indica que a preciência de Deus lhe faculta saber que, NO NÚMERO DOS QUE ELE CRIA SIMPLES, IGNORANTES E FALÍVEIS, HAVERÁ SEMPRE MUITOS QUE PELO MAU USO DO SEU LIVRE ARBÍTRIO - SUCUMBIRÃO AS SUAS FRAQUEZAS CAUSADAS PELO ORGULHO, QUE SE ORIGINA NA IGNORÂNCIA E TEM POR DERIVADOS A PRESUNÇÃO, O EGOÍSMO E A INVEJA. 

Seria, porventura, mais sensato pensar que Deus (o Infinito de todas as Perfeições) cria seus seres fracos expressamente para adquirirem força através dos sofrimentos, das provações?

Que os cria inocentes para lhes ensinar a prática da inocência no assassínio, na indignidade, na multiplicidade dos vícios das encarnações humanas primitivas, vícios que tanto se enraízam nas criaturas, e que milhares de séculos passam sobre elas sem as polir?

Sim, PORQUE AINDA HOJE SÃO INUMERÁVEIS AS BAIXEZAS QUE AFLIGEM O GÊNERO HUMANO! Ora, se assim fosse poderíeis dizer que Deus concedeu ao Espírito o livre arbítrio sob a condição de ficar submetido a uma lei única - a do pecado! Por essa forma, teria Deus sujeitado a suplício igual (o da encarnação humana) tanto o Espírito que, no estado de inocência e de ignorância, dócil a seus Guias, segue o caminho que lhe é apontado para progredir, quanto o Espírito indócil, orgulhoso, presunçoso, egoísta e invejoso, culpado e revoltado, que faliu por mau uso do seu livre arbítrio. 

Não! Deus é infinitamente grande, justo, bom e paternal. Seus filhos nascem simples de coração (Ele assim o quis); têm a liberdade dos seus atos (é Ele quem concede). Se fazem mau uso do livre arbítrio, é que - dando o Senhor toda liberdade ao Espírito - dele se afasta, por assim dizer, para deixá-lo entregue às suas próprias impressões e tendências. É ENTÃO QUE O ESPÍRITO ESCOLHE O RUMO QUE PREFERE SEGUIR. Então, e só então, sofre as consequências da escolha que faz. Tudo virá a seu tempo. 

É esta uma verdade que abrirá caminho, como já o abriram estas duas outras - a anterioridade da Alma e a reencarnação. Uma geração semeia, a segunda monda e a terceira colhe. A onisciência de Deus lhe faculta saber, desde e por toda eternidade (pois o presente, o passado e o futuro lhe estão patentes a todos os instantes) que jamais faltou nada, nem falta, nem faltará à vida e a harmonia universais: que houve, há e haverá SEMPRE Espíritos culposos para alimentar as terras primitivas, o vosso e os outros mundos que Ele criou, cria e criará, destinados a servir de habitação aos Espíritos que faliram, estão falindo e vão falir, todos esses que tiveram, têm e terão que expiar e progredir nessas esferas e trabalhar pela melhoria material delas.

A onisciência de Deus lhe faculta saber, desde e por toda a eternidade, que também houve e sempre haverá Espíritos que, puros no estado de inocência e de ignorância, dóceis aos seus Guias, se conservarão puros no caminho do progresso, trilhando-o simples e gradualmente, conforme ao que lhe é indicado; que sempre houve, há e haverá Espíritos, como esses, que NUNCA IRÃO FALIR, PARA ALIMENTAR TODOS OS MUNDOS FLUÍDICOS QUE ELE CRIOU, CRIA E CRIARÁ, apropriado às inteligências dos que os devem habitar, e nos quais essas inteligências têm de progredir em invólucros fluídicos.

        

domingo, 11 de janeiro de 2015

28/04/1970
DEUS E A VIDA UNIVERSAL - XII

P - Disse o Espírito da Verdade que "a previdência do Senhor vela, sempre, pela conservação de todos". Poderia aprofundar o ensinamento e falar da paridade do desenvolvimento em todos os reinos da Natureza?

R - É que as espécies, incapazes de se defenderem, não são atacadas de modo positivo. Têm seus inimigos, mas entre seres tão fracos quanto elas mesmas, nunca entre aqueles que a destruíram completamente, achando-as sem defesa ou meios de fugir. Cada espécie busca a alimentação que lhe é apropriada, não procurando jamais a que seja estranha ao seus apetites. 

O homem, no estado de encarnação primitiva, ou rudimentar, não tem que temer mais inimigos do que os tem a esponja, que só é vítima dos insetos que dela se  nutrem, quando chega o termo da sua duração natural. Nem a carnívoros, nem a herbívoros, nem a nenhuma espécies de peixes ou de pássaros, serve ela de alimento. Chegado, no seu desenvolvimento, ao período em que os carnívoros o atacam para devorá-lo, o homem já não se acha mais sem defesa e sem meios de fugir. Dizemos os carnívoros e não os herbívoros porque o caçador não persegue a caça que não tenha atrativo para ele. 

Também afirmamos que o homem, no estado de encarnação primitiva, não é mais do que massa, quase inerte, de matérias moles e pouco agregadas, que rasteja, ou antes, desliza, tendo os membros, por assim dizer em estado latente. Ainda mais: "As gerações se sucedem, desenvolvendo-se. E as formas se vão alongando, tornando-se aptas a prover as necessidades que se multiplicam". A matéria está sujeita a um desenvolvimento regular. Os Espíritos, quando se elevam, transpõem o grau desse desenvolvimento, sem neles tocarem: há sempre categorias de Espíritos em correlação com os graus das encarnações. Desde o grau de encarnação primitiva até à forma humana, não há outra coisa senão um tipo único em germe, a se desenvolver. Tipo único, mas que se modifica, à medida que o seu desenvolvimento se opera, de conformidade com os meios em que se vai encontrando. 

E daí podeis tirar outras conclusões, relativamente à elaboração do Espírito nos diversos reinos da Natureza. Efetivamente, o que se dá com a origem do tipo humano, que provém do limo diluído e fecundado, se verifica também com o princípio das primeiras plantas e dos primeiros animais. São, em começo, simples vegetações microscópicas, que se desenvolvem, crescem e se estendem por sobre o solo, e produzem sementes que, transportadas a diversos pontos, sofrem a influência da terra que as recebe, das águas que as regam, dos calores que a fecundam e, enfim, dos fluidos que a desenvolvem. Surgem depois, os tipos animais, que passam pelas mesmas transformações, determinados pelas mesmas causas. 

Agora, é preciso compreender como e por que chega o homem a ter a direção e a supremacia no planeta, não obstante ser o desenvolvimento material das espécies animais, no momento da encarnação humana primitiva, superior ao do Espírito humanizado, sob o ponto de vista do invólucro. O homem, nessas condições, não é um atrasado, mas um retardatário: o que há, em tal caso, é uma retrogradação física. Nele, a inteligência tem de despertar, ao passo que nos animais tem de se desenvolver. Fique bem claro o seguinte: ao fundar-se um novo planeta, o princípio de inteligência, o princípio espiritual que, em estado latente, ele encerra, tem de se elaborar, desenvolver, individualizar e adquirir arbítrio. O princípio espiritual, portanto, tem de passar por uma série inumerável de transformações, para chegar a esse ponto.

O Espírito que encarna, ao contrário, volta à matéria para lhe sofrer a opressão, para se habituar a dominá-la, para aprender a se dominar, podendo o princípio inteligente (que, então, já percorreu uma certa categoria de estágios) ascender rapidamente, se o quiser, da ínfima condição em que caiu até às esferas elevadas que lhe compete atingir. Não se trata mais, aqui, de um progresso lento, insensível, mediante o qual, por assim dizer, se cria o ser espiritual: trata-se de realizar um trabalho raciocinado, cujos primeiros princípios já foram executados e se cuida de aplicar. 

Façamos uma comparação, para maior clareza: o Espírito que se prepara nos diversos reinos inferiores (mineral, vegetal, animal), é como a criança da qual o germe, fecundado no seio materno, se desenvolve, nasce, se educa e chega à adolescência. Nesse ponto, contrai uma enfermidade terrível, por efeito da qual, na convalescência, não lembra sequer de uma letra dos seus primeiros estudos. Não sabe mais equilibrar nas pernas o corpo cambaleante, nem ir de um lugar a outro. Balbucia sons inarticulados e ininteligíveis. Estão mortos seus escritores prediletos, seus talentos, suas recordações. Mas, pouco a pouco, a saúde lhe volta. Solicita, a mãe extremosa que lhe guia os passos, regulariza o seu falar, mostra nos seus livros as palavras que ele esqueceu, e por fim o conduz à trilha das ciências que estudou. A inteligência se lhe desperta prontamente; de tudo vai se lembrando e tudo vai reconhecendo. JULGA APRENDER, QUANDO APENAS GRADUALMENTE RECORDA. E tanto mais rápido é o progresso quanto mais a saúde se avigora.

O mesmo acontece com o Espírito que faliu: seus progressos espirituais dependem dos cuidados que dispense à sua saúde moral. Esses cuidados lhe permitem avançar, rapidamente, no campo da reminiscência dos progressos feitos no passado, reminiscência que se toma por um estudo novo, enquanto não galga a altura de onde o passado pode, sem inconveniente, desenrolar-se aos seus olhos. Não lhe é dado fazer progressos novos (e estes, sim, serão realmente frutos de novos estudos) senão depois de atingir o ponto a que já chegara, quando caiu nas trevas da encarnação humana.
 

sábado, 10 de janeiro de 2015

26/04/1970
DEUS E A VIDA UNIVERSAL - XI

P - O Espírito da Verdade afirmou que os Espíritos destinados a ser humanizados, por terem cometido erros graves são lançados nas trevas exteriores - mundos primitivos, virgens ainda do aparecimento do homem (do reino humano), mas preparados e prontos para essas encarnações em substâncias humanas, às quais não se pode dar propriamente o nome de corpos, nas condições de macho e fêmea, aptos para a procriação e para a reprodução. Quais as condições dessas substâncias humanas?

R - São corpos rudimentares. O homem aporta a essas terras, ou mundos primitivos, no estado de esboço, como tudo o que se forma nas trevas exteriores.

Aí, o macho e a fêmea não são nem desenvolvidos, nem fortes, nem inteligentes. Mal se arrastando nos seus grosseiros invólucros, vivem - como os animais - do que  encontram no solo e lhes convenha. As árvores e o terreno produzem, abundantemente, para a nutrição de cada espécie. Os animais carnívoros não os caçam: a previdência do Senhor vela sempre, pela conservação de todos. SEUS ÚNICOS INSTINTOS SÃO OS DA ALIMENTAÇÃO E OS DA REPRODUÇÃO.

As gerações se sucedem, desenvolvendo-se. E as formas se vão alongando, tornando-se aptas a prover as necessidades que se multiplicam. Mas como não é nossa tarefa traçar aqui a História da Criação, prossigamos: O Espírito vai habitar corpos formados de substâncias contidas nas matérias constitutivas do planeta. Esses corpos não são aparelhados como os vossos, mas os elementos que os compõem se acham dispostos de maneira a que o Espírito os possa usar e aperfeiçoar.

Não poderíamos compará-los melhor do que a criptógamos carnudos. Podeis formar idéia da criação humana estudando essas larvas informes, que vegetam em certas plantas, particularmente nos lírios. São massas, quase inertes, de matérias moles e pouco agregadas, que rasteja, ou antes, desliza, tendo os membros, por assim dizer, em estado latente.

Eis aí, ó homem, a tua origem, o teu ponto de partida, quando o ateísmo, o orgulho, a inveja, a indocilidade e a revolta te fizeram falir, em condições que exigem A PRIMITIVA ENCARNAÇÃO HUMANA!

Não desvieis, horrorizado, o olhar: agradece, antes, ao Senhor, que te permite elevar os olhos para Ele e entrever a Imagem da Perfeição nos Espíritos radiosos que o cercam! E cabe, aqui, dar aos homens uma instrução séria, a fim de que não sejam levados a ver, nessas encarnações primitivas, ou nas suas causas, uma "vingança feroz" da Divindade. DEUS NÃO SE VINGA.

Que necessidade teria de se vingar? Apenas, na sua previdência onisciente, coloca o Espírito orgulhoso, que se considera "o centro do Universo", em condições de reconhecer a sua fragilidade. Procede como o chefe de família que, depois de consentir que o filho presunçoso tente levantar o peso que viu o pai erguer, exercita a força do menino, proporcionando-lhe meios de a desenvolver, pouco a pouco, a fim de aprender a fazer dela O USO CONVENIENTE.

Tais encarnações, por mais horríveis que possam  parecer, são um benefício imenso para o Espírito. Tendo falido, convém que ele se submeta ao jugo dessa matéria da qual se julgava o senhor, para compreender a sua impotência e adquirir, pelo exercício e pelo combate, a força, a destreza e, sobretudo, a experiência que lhe faltavam.

Ora, aquilo que pune o Espírito é, também, aquilo que o regenera: sem essa terrível provação, ele ficaria vicioso, e seu poder - se fosse mantido - se tornaria nocivo à HARMONIA UNIVERSAL, o que é impossível, por que contrário à Lei de Deus. Assim, portanto, só por uma paternal previdência do Criador - e unicamente no interesse do seu desenvolvimento meritório - o Espírito se vê condenado a sofrer encarnações que o seu zelo, o seu arrependimento e a sua docilidade podem abrandar e abreviar ao infinito.
    

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

25/04/1970
DEUS E A VIDA UNIVERSAL - X

P - Chegamos ao ponto que mais de perto nos interessa: por que, já na posse do seu livre arbítrio, podem os Espíritos falir, por orgulho ou por inveja?

R - Os Espíritos no estado infantil - já o dissemos - são confiados a preceptores, que trabalham para o desenvolvimento moral e intelectual de seus discípulos, dando-lhes ensinamentos e exemplos. É então - também já o dissemos - que AS TENDÊNCIAS SE REVELAM. 

Os Espíritos, já de posse do seu livre arbítrio, o trilham laboriosamente o caminho do progresso espiritual, planejado com amor, dóceis aos seus Guias, em prol do próprio desenvolvimento, crescendo em sabedoria, pureza e ciência, e chegam, SEM HAVER FALIDO, ao ponto onde nenhum véu mais lhes oculta a luz central, ou - ao contrário - confiantes em suas forças, desprezam os conselhos que lhes são dados, e inebriados pela visão dos esplendores que cercam os altos Espíritos - deixam que a inveja e o orgulho os empolguem.

Já tendo grande poder sobre as regiões inferiores, cujo governo aprendem a exercer no sentido de que (sempre sob as vistas dos Espíritos prepostos à missão de educá-los e sob as do Protetor Especial do planeta de que se trate) aprendem a dirigir a revolução das estações, a regular a fertilidade do solo, a guiar os encarnados, influenciando-os ocultamente, MUITOS ACREDITAM QUE SÓ AO PRÓPRIO MERECIMENTO DEVEM O QUE PODEM e, desprezando todos os conselhos, caem: é a queda pelo orgulho.

Outros, por nem sempre compreenderem a ação poderosa de Deus, NÃO ADMITEM QUE HAJA UMA HIERARQUIA ESPIRITUAL e acusam a injustiça Aquele que os criou, porquanto é Deus quem cria, não o esqueçais: esses caem pela inveja. Não é o que acontece convosco, dentro da ínfima hierarquia humana? Até o ateísmo - por mais incrível que pareça - até o ateísmo, não raro, se manifesta naqueles pobres cegos colocados no centro mesmo da luz! E jamais, como aí, o ateísmo nasce tão diretamente do orgulho. Não vendo aquele de quem tudo emana, negam-lhe a existência, já se considerando a base e a cúpula do edifício! Nesse caso, sobretudo nesse caso, mais severo é o castigo. É um dos casos de primitiva encarnação humana: preciso se torna que os culpados sintam, em seu próprio benefício,  o peso da força cuja existência não quiseram reconhecer. 

Qualquer que seja a causa da queda, orgulho, inveja, ateísmo, os que caem (tornam-se, por isso, ESPÍRITOS DAS TREVAS) são ´precipitados nos tenebrosos lugares da encarnação humana, conforme ao grau de culpabilidade, nas condições impostas pela necessidade de expiar e progredir.

Não vos enganeis quanto ao sentido das novas palavras relativas à ação desses Espíritos em via de progresso, que ainda não faliram e que se grupam nas regiões inferiores para conduzir os encarnados, influenciando-os, a título de Guias, amigos e simpatizantes.

Nos mundos inferiores, os encarnados têm seus Anjos da Guarda, que são Espíritos da categoria dos vossos, mais depurados (como dizeis) do que os seus protegidos, e que também têm, por Guias ou Protetores, OUTROS ESPÍRITOS DE ORDEM MAIS ELEVADA.

Tudo se liga e encadeia, da base ao ápice, hierarquicamente, na unidade e na solidariedade. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

24/04/1970
DEUS E A VIDA UNIVERSAL - IX

P - Queremos uma explicação importante do Espírito da Verdade, através do CEU da LBV: - Como é que, chegando ao período de preparação para entrar na humanidade, na espiritualidade consciente, o Espírito passa desse estado misto, que o separa do animal e o apronta para a vida espiritual, AO ESTADO DE ESPÍRITO FORMADO, isto é, de individualidade inteligente, responsável e livre? Outra pergunta que julgamos da mais alta importância: - Uma vez de posse do livre arbítrio, da consciência de suas faculdades, da sua vontade, da liberdade de seus atos, como é que lhe sucede FALIR POR ORGULHO OU INVEJA?

R - Depois de haver passado pela matéria animal, chegando a um certo grau de desenvolvimento, o Espírito, antes de entrar na vida espiritual, precisa permanecer num estado misto. Eis por que e como se opera essa "estagnação", sob a direção e vigilância dos Espíritos prepostos.

Para entrar na vida ativa, consciente, livre e independente, o Espírito tem necessidade de se libertar por completo do contato forçado em que esteve com a carne, de esquecer as suas relações com a matéria, isto é, de se depurar dessas relações. É NESSE MOMENTO QUE SE PREPARA A TRANSFORMAÇÃO DO INSTINTO EM INTELIGÊNCIA CONSCIENTE.

Já bem desenvolvido no estado animal, o Espírito é, de certo modo, restituído ao todo universal, mas em condições especiais: é conduzido aos mundos ad hoe, às regiões preparativas, porque lhe cumpre achar o meio onde se elaboram os princípios constitutivos do perispírito. Fraco raio de luz, ele se vê lançado na massa de vapores que o envolvem por todos os lados. Aí perde a consciência do seu ser, porque a influência da matéria tem de se anular no período da estagnação, e cai num estado a que chamaremos (para que todos possam compreender) letargia.

Durante esse período, o perispírito, destinado a receber o princípio espiritual, se desenvolve e se constitui ao derredor daquela centelha de verdadeira vida. Toma, a princípio, uma forma instintiva, depois se aperfeiçoa gradualmente como o germe no seio materno, e passa por todas as fases do desenvolvimento. Quando o invólucro está pronto para contê-lo, o Espírito sai do torpor em que jazia e solta o seu primeiro brado de admiração: nesse ponto, O PERISPÍRITO É COMPLETAMENTE FLUÍDICO, MESMO PARA NÓS. Tão pálida é a chama que ele encerra (a essência espiritual da vida) que os nossos sentidos, embora sutilíssimos, dificilmente a distinguem. Esse é o estado de infância espiritual.

É então que os altos Espíritos (que comandam a educação dos que se encontram,  assim, no estado de simplicidade, de ignorância e de inocência), os encaminham para as esferas fluídicas, onde deverão ficar durante o seu desenvolvimento moral e intelectual, até ao momento em que se achem no uso completo de suas faculdades, JÁ EM CONDIÇÕES DE ESCOLHER O CAMINHO QUE DESEJEM TRILHAR. Seguem-se as fases da infância.

Os Guias ou Protetores ensinam o Espírito o que é o livre arbítrio que Deus lhe concede, explicam o uso que dele podem fazer e o concitam a se ter em guarda contra os escolhos que venha a deparar. O reconhecimento e o amor devidos ao Criador constituem o objeto da primeira lição que o Espírito recebe. Levam-no, depois, gradualmente, ao estudo dos fluidos que o cercam e das esferas que descortina. Conduzidos pelos seus prudentes Guias, passa às regiões onde se formam os mundos, a fim de lhes estudar os "mistérios". Desce, enfim, às regiões inferiores, para aprender a dirigir os princípios orgânicos de tudo o que é, em qualquer dos reinos da Natureza. Daí vai às esferas mais elevadas, onde aprende a dirigir os fenômenos atmosféricos e geológicos, que todos vós observais SEM O COMPREENDER.

Assim é que, de estudo em estudo, de progresso em progresso, o Espírito adquire a ciência que, infinita, o aproximará do Mestre Supremo. Mas, como já dissemos, quando o livre arbítrio atinge um desenvolvimento completo, o Espíritos fazem dele bom ou mau uso, uns logo no início da vida espiritual consciente, outros em ponto mais ou menos adiantado da carreira. Todos seguem os seus caminhos entregues a si mesmos, como vós outros, isto é, não experimentando mais do que a influência amiga de seus guias, que eles vêem à volta de si, com o adolescente vê os membros da família se agruparem ao seu derredor, para o preservarem dos perigos da vida. É O TERRÍVEL APRENDIZADO, QUE LHE CUMPRE FAZER, DO LIVRE ARBÍTRIO.

Tudo é tão belo nas regiões superiores, o Espírito admira tão grandes coisas que fica maravilhado, deslumbrado!

As tendências, então, se desenvolvem. A ambição nobre de aprender, de crescer e de subir, quase sempre se imiscui o orgulho ou a inveja. Neste ponto, sente a influência paternal de Deus, cuja existência lhe é revelada, mas que ele não vê. Só o que é perfeito pode aproximar-se da Perfeição. Ora, o Espírito independente e livre, está ainda ignorante e não experimentou, por si mesmo, o seu valor.

  A DOUTRINA DO CEU   P – Qual a Doutrina do Centro Espiritual Universalista da LBV?   R – Ela unifica, neste fim de ciclo, todos os...