quinta-feira, 25 de junho de 2015


13/11/1970
O "MILAGRE" DE JONAS

P - A passagem do "milagre" de Jonas tem sido causa de muita controvérsia. Como a explica, pelo CEU da LBV, o Espírito da Verdade?

R - Vejamos o Evangelho segundo Mateus, XII: 38-42 e segundo Lucas, XI: 29-32.

         Mateus: 38 - Então, alguns dos escribas e fariseus lhe
         disseram:  "Mestre,  queremos  ver  um  milagre feito
         por ti". 39 - Jesus lhes respondeu: "Esta geração adúl-
         tera  e  má  pede  um  milagre, mas nenhum outro lhe
         será dado senão o do Profeta Jonas.   40 - Assim como
         Jonas esteve três dias e três noites no ventre do gran-
         de peixe, também o Filho do Homem estará três  dias
         e três noites no coração da terra. 41 - Os ninivitas, no
         dia do juízo, se levantarão  contra  esta  geração  para
         condená-la,  pois  eles fizeram penitência ao ouvirem
         a pregação de Jonas: e aqui está quem é maior do que
         Jonas. 42 - A rainha do Sul se levantará, no dia  do juí-
         zo, contra  esta geração e a condenará,  pois  veio  dos
         confins da terra para ouvir  a  sabedoria  do  rei  Salo-
         mão; e aqui está quem é maior do que Salomão.

         Lucas:   29 - Disse, então, à turba que o cercava:  "Esta
         geração perversa me pede um sinal; mas  nenhum  si-
         nal lhe será dado senão o do Profeta Jonas. 30 - Assim
         como  Jonas  foi  sinal  para os ninivitas, o Filho do Ho-
         mem o será para esta geração.   31 - A rainha do Sul se
         levantará no juízo com os homens desta geração,  e os
         condenará, pois veio dos confins da terra para ouvir a
         sabedoria de Salomão; e eis aqui quem é maior do que
         Salomão. 32 - Os ninivitas se levantarão, no juízo, con-
         tra  esta  geração  para  condená-la,  pois se arrepende
         ram ouvindo a pregação de Jonas; e eis aqui está quem
         é maior do que Jonas".

Aquela geração, que repelia todos os esforços empregados para conduzi-la ao caminho do Bem, era má e adúltera: ADÚLTERA NO SENTIDO  DE DESPREZAR A FÉ NO SEU DEUS, PARA SE ENTREGAR ÀS PRÁTICAS MATERIAIS LAMENTÁVEIS. 

Não é este o lugar de vos explicarmos como se deu o que os homens consideraram a passagem de Jesus da vida material para a morte e a sua volta a vida espiritual. Respondei-nos, porém: - Sua ressurreição depois de três dias e três noites de morte aparente, mas considerada real pelo vulgo - não constitui um milagre, idêntico ao que se atribuiu a Jonas? 

Dizemos "que se atribui" a Jonas porque o fato, que com ele se deu, foi referido aos hebreus ampliado, comentado e desnaturado. Houve, da parte do narrador, erro e falsa interpretação quando disse "que Jonas fora atirado ao mar; que Deus preparara um peixe imenso para engolir o profeta; que este passou três dias e três noites dentro de tal peixe; que o Senhor falou ao peixe e que este pela boca deitou Jonas na praia". JONAS NÃO FOI LANÇADO AO MAR: ESTEVE, SIM, TRÊS DIAS E TRÊS NOITES A FERROS NO FUNDO DO NAVIO QUE O LEVAVA. 

Um devotado marinheiro tirou-o de lá e o trouxe num bote, até à praia, onde o deixou. Salvou-o, portanto, a dedicação de um homem - que serviu de instrumento à Divina Providência - o qual, por influência e inspiração espirituais, cumpriu a vontade de Deus, libertando Jonas das cadeias que o prendiam, trazendo-o num bote do navio e deixando-o na praia. 

A credulidade e a atração que exerce no homem tudo o que resista a auréola do maravilhoso, deram origem à crença num acontecimento sobrenatural, isto é, num milagre. ENTRETANTO, O GRANDE PEIXE OUTRO NÃO ERA SENÃO O NAVIO A CUJO BORDO ESTAVA JONAS: A BOCA NADA MAIS ERA QUE O BOTE, QUE DEIXOU O PROFETA NA PRAIA. 

Dizendo "assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, assim também o Filho do Homem o será para esta geração." Jesus se colocava - como sempre - no ponto de vista das crenças humanas, relativamente a Jonas e a si próprio. O profeta que era um homem igual aos demais, foi tido pelos habitantes de Nínive como um ENTE EXCEPCIONAL DA RAÇA HUMANA, visto que pudera viver dentro de um peixe e sair, são e salvo, depois de haver passado ali três dias e três noites. 

Para o vulgo, e mesmo para os discípulos, Jesus era um homem igual aos outros, com um corpo de carne e osso, exatamente como os corpos deles. Em tais condições, sua ressurreição, e sua ascensão não podia ser mais compreensíveis nem menos milagrosos do que a volta de Jonas. Mas vós, que conheceis as causas e compreendeis os efeitos, não podeis ver na ressurreição e na ascensão de Jesus mais do que uma consequência da sua missão e da sua organização fluídica.

SIM, NÃO HÁ MILAGRE NO SENTIDO QUE LHE DÁ A IGREJA HUMANA, COM DERROGAÇÃO DAS LEIS IMUTÁVEIS QUE DEUS ESTABELECEU PARA TODA A ETERNIDADE.

quarta-feira, 24 de junho de 2015


12/11/1970
RAÇA DE VÍBORAS

P - Finalizando o estudo que fazemos, na Cruzada da Novo Mandamento no Lar, concentramos nossa atenção nos versículos 33 de Mateus, sobre os frutos da árvore; 24 e 25, também de Mateus, sobre "raça de víboras"; 36 e 37, ainda no Evangelho de Jesus segundo Mateus, sobre "palavras ociosas". Como explica tudo isso o Espírito da Verdade?

R - Versículo 33 de Mateus:
"Se uma árvore for boa, seu fruto será bom; se for má, seu fruto será mau: pelos frutos é que se conhece a árvore".

Por estas palavras, dirigidas aos discípulos, JESUS LHES ENSINAVA A CONHECER OS HOMENS. Sem dúvida, o homem de maus instintos praticará más ações. Mas, se o virdes esforçar-se por fazer o bem, por cumprir os deveres que a consciência lhe impõe, podeis dizer que a árvore é boa. E ficai certos de que, se for cultivada, com as lições do Evangelho e do Apocalipse, melhor ainda se tornará.

Versículos 24 e 25:
"Raça de víboras, como podeis, sendo maus, dizer coisas boas, se a boca fala aquilo de que está cheio o coração? O homem bom tira boas coisas do bom tesouro e o homem mau tira coisas más do mau tesouro".

Pelos termos RAÇA DE VÍBORAS, apropriados aos tempos e aos homens, JESUS DESIGNAVA AQUELA RAÇA DE ESPÍRITOS INFERIORES E ORGULHOSOS, QUE ACREDITAVAM PODER ALCANÇAR, SEM SOCORRO, A MORADA CELESTE, E QUE NÃO QUERIAM RECEBER LUZ ALGUMA. A palavra emerge do coração, quando exprime abertamente a maneira de pensar. Mas, se oculta o pensamento, ou lhe dá a aparência da doçura, sendo ele agressivo, então a palavra é mentirosa, hipócrita e má.

Por isso é que Jesus perguntava aos fariseus: "Como é que, sendo maus, podeis dizer coisas boas?" As palavras saem do tesouro do coração. Se o Tesouro é mau, também más serão as palavras e ações, quer as primeiras exprimam abertamente a maneira de pensar, quer sirvam de disfarce à mentira, à hipocrisia ou à maldade.

Versículos 36 e 37:
"Ora, se eu vos digo que os homens, no dia do julgamento, darão contas de toda palavra ociosa que houverem proferido. Porque sereis justificados pelas vossas palavras e pelas vossas palavras sereis condenados". 

As traduções preferiram os termos: ociosa e inútil para - dando maior extensão ao texto - fazerem que as palavras do Mestre ABRANGESSE A TODOS E NÃO SOMENTE AOS BLASFEMADORES. Essa alteração do original teve por efeito reprimir os costumes e por um freio ao deboche dos inimigos do Evangelho. Estendendo a sentença do Cristo até às palavras ociosas, restringia a linguagem aos limites do justo e do necessário.

Sendo mister coibir as conversações mais que levianas, capazes de desviar as inteligências do fim elevado que lhes propunha, necessário era que se batesse com força para atingir esse objetivo. O DIA DO JULGAMENTO, em que os homens prestarão contas, é aquele em que o Espírito culpado, após a morte, faz uma introspecção, observa a sua passada existência, suas faltas ou crimes e, TOCADO PELO ARREPENDIMENTO, FUSTIGADO PELO REMORSO, SOFRE A EXPIAÇÃO, INEVITAVELMENTE SEGUIDA DA NECESSIDADE DE REENCARNAR. 

E ISSO EXPLICA A ADVERTÊNCIA DE JESUS: NÃO SAIRÁS DA PRISÃO (O CORPO MATERIAL) ATÉ PAGARES O ÚLTIMO CEITIL.



terça-feira, 23 de junho de 2015

11/11/1970
A JUSTIÇA PERFEITA DE DEUS

P - Não podia ser mais feliz e edificante a explicação do capítulo em exame. Uma pergunta, ainda, queremos formular ao Espírito da Verdade: - Pode haver Espírito eternamente culpado? 

R - Quando Jesus falava (ou os Evangelhos falavam, em suas narrativas) em ESPÍRITO SANTO, esta expressão, como sabeis, designava os Espíritos Puros, ou Espíritos Superiores, os Bons Espíritos, que desempenham junto dos homens as funções de órgãos do Senhor, de seus ministros, mensageiros ou agentes, de acordo com o grau de elevação de cada um. 

Servindo-se da expressão ESPÍRITO SANTO, QUANDO TRATOU DA BLASFÊMIA CONTRA DEUS, Jesus o fez porque, como também já o dissemos, os judeus entendiam por Espírito Santo a inteligência mesma de Deus. Em última análise, tudo vem a dar no mesmo, num caso e noutro, por isso que OS ESPÍRITOS DE LUZ NADA MAIS SÃO QUE O REFLEXO DA VONTADE DO SENHOR ONIPOTENTE.

O homem que blasfema contra Deus é um rebelde às inspirações do seu Anjo Guarda e dos Bons Espíritos; incorre em culpa grave e não obtém perdão ENQUANTO PERMANECE CULPADO E REBELDE: PORTANTO, A ETERNIDADE DO CASTIGO CORRESPONDE A ETERNIDADE DA FALTA. Se o Espírito permanecesse eternamente rebelde, seria réu de delito eterno; jamais obteria perdão na eternidade, nem além dela (para nos servirmos das expressões bíblicas).

Mas não é nem pode ser assim. Por efeito da onipotência, da justiça, da bondade e da misericórdia infinita do Senhor, e de acordo com a promessa que Jesus fez em nome do Pai, e com o que disse na "Parábola do Filho Pródigo": "MEU PAI NÃO QUER QUE PEREÇA NENHUM DESTES PEQUENINOS - VIM SALVAR O QUE ESTAVA PERDIDO, SEDE PERFEITOS COMO É PERFEITO O PAI QUE ESTÁ NO CÉU". 

Não há Espírito culpado e rebelde que, no curso da eternidade que se desdobra diante de si, não experimente o influxo das Leis Imutáveis do progresso e da perfectibilidade, do sofrimento e da expiação. Não há Espírito que, usando de seu livre arbítrio sob a ação da sua consciência, presa do remorso e do arrependimento, auxiliado na erraticidade pelos sofrimentos ou torturas morais adequados e proporcionados aos crimes e faltas cometidos, iluminado pelas provações e expiações, deixe - com o tempo e mediante a reencarnação - de voltar ao aprisco, assim como a ovelha transviada; de voltar à casa paterna, como o filho pródigo, arrependido e submisso.

É assim a justiça perfeita de Deus: NINGUÉM HÁ QUE, PURIFICADO, NÃO VENHA A SER, UM DIA, ACOLHIDO PELO PAI DE FAMÍLIA, PELO SENHOR ONIPOTENTE, DE INFINITA MISERICÓRDIA!




segunda-feira, 22 de junho de 2015


10/11/1970
OS DOGMAS E AS VERDADES ETERNAS

P - A Igreja baseia sua crença no inferno e suas penas eternas em palavras de Jesus, como as que constam do capítulo em estudo. Que diz a isto, pelo CEU da LBV, o Espírito da Verdade?

R - Jesus se dirigia a homens cuja imaginação precisava ser despertada. Vede que o mesmo ainda hoje se dá: não usamos de idêntica linguagem, para com todos vós. Muitas vezes nos adaptamos às vossas fraquezas, aos vossos preconceitos e até mesmo ao ranço de sectarismo latente em vós, A FIM DE VOS CONDUZIRMOS GRADUALMENTE AS VERDADES QUE, REVELADAS DE CHOQUE, PODERIAM DETERMINAR O VOSSO AFASTAMENTO.

Jamais chocamos inutilmente as crenças humanas, enquanto possam conciliar-se com o progresso da Humanidade. Mas, desde que um Espírito fraco se apegue fortemente a este ou aquele dogma, a tal ou qual cerimônia, nós lhe dizemos lealmente: "O CULTO QUE AGRADA AO SENHOR É UNICAMENTE O CULTO QUE VEM DO CORAÇÃO; A SEUS OLHOS NENHUM VALOR TÊM OS ATOS EXTERIORES". 

Inversamente, aos fracos que necessitem de apoio para a sua crença, de uma barreira que os impeça de transpor certos limites, dizemos: "SERVI EM PLENA CONSCIÊNCIA, AO SENHOR DEUS: PRATICAI COM REGULARIDADE E SINCERA ATENÇÃO O VOSSO CULTO, QUALQUER QUE ELE SEJA; MAS, NÃO VOS DESCUIDEIS DO CULTO DA ALMA, TÃO GRATO AO PAI CELESTIAL. SOIS FRACOS E TENDES NECESSIDADE DE AMPARO; BUSCAI-O ONDE COSTUMAIS ENCONTRÁ-LO; MAS BUSCAI, TAMBÉM, O DOS VOSSOS AMIGOS CERTOS, OS ESPÍRITOS DO SENHOR, QUE VOS CERCAM E AUXILIAM, QUE CONHECEM O ÚNICO OBJETIVO QUE DEVEIS ALCANÇAR: A PAZ NA VIDA PRESENTE E A FELICIDADE NA VIDA FUTURA".

Como vedes, conformamos nossos ensinos com os preconceitos e as fraquezas humanas. Todavia, para que não haja obscuridade em nossas palavras, declaramos: jamais os conformamos com erros e faltas das crenças humanas, subordinando a Verdade Eterna à transitoriedade dos dogmas. Falamos a uns com doçura a outros com severidade, apropriando nossa linguagem ao caráter e às disposições de cada um. 

Ora, Jesus - sábio por excelência - soube muito melhor do que todos nós, tornar a lição compreensível de modo oportuno e útil, aos Espíritos obstinados que o ouviam. Por isso vos dizemos: NÃO HÁ, NUNCA HOUVE, DA PARTE DO MESTRE, AMEAÇAS DE PENAS ETERNAS. Entendei bem, portanto, estas palavras: "Aquele que houver blasfemado contra o Espírito Santo não achará perdão na eternidade, será réu de um delito eterno; não terá perdão nem neste século nem no futuro". O Cristo adequava a palavra à inteligência: A FALTA ACARRETA UM CASTIGO QUE PODEIS CONSIDERAR ETERNO, TENDO EM VISTA A MEDIDA DE QUE USAIS PARA MEDIR O TEMPO. O Espírito rebelde, que blasfema contra Deus, tem de sofrer longas provações para voltar ao cumprimento do dever.

Esse ato inaudito denota, no Espírito, um sentimento de rebelião e de orgulho que o levará a muitas quedas. Não concebeis que as diversas categorias de delito impliquem a ideia de maior ou menor perversidade? Necessariamente, quem cometer certa falta que, comparada a outra, seja leve, estará mais perto de se arrepender: e menos radicalmente vicioso, ficando entendido que A DIFERENÇA DE CULPABILIDADE RESULTA DA INTENÇÃO E NÃO DA CARÊNCIA DE OPORTUNIDADE. 

Não há caso algum em que o Espírito fique absolutamente excluído de perdão. Apenas, relativamente semelhante exclusão existe para o culpado pelo temor, que este experimenta, de que ela seja real, à vista do castigo e da sua duração. ESTA NADA É EM FACE DA ETERNIDADE, MAIS SE AFIGURA SER A PRÓPRIA ETERNIDADE ÀQUELE QUE NADA VÊ PARA ALÉM DOS ACANHADOS LIMITES DA SUA INTELIGÊNCIA.

Não tendes ouvido Espíritos culpados dizerem, por entre gemidos, que se acham condenados a penas eterna? E não sabeis que a existência neles, desta crença constitui um dos meios de os levar ao arrependimento? Não vedes como? Eis aqui: o rigor e a duração do castigo consomem as más energias do culpado. Cansado de sofrer, aterrorizado com a perspectiva de dores sem fim, ele se volta para si mesmo, olha com desespero para o seu passado, conta todas as faltas, todos os crimes que o precipitaram no abismo e, finalmente, exclama: "Ah! se eu pudesse começar tudo de novo!"

Os Espíritos, que os cercam logo tratam de intervir, impelindo-o a pesquisar SE TERÁ, MESMO, DE RECOMEÇAR E A SABER, COMO ELE O FARIA SE TIVESSE A NOVA OPORTUNIDADE. Pouco a pouco, o arrependimento lhe vai penetrando no íntimo, fazendo nascer a esperança do perdão, no influxo dessa esperança, o arrependimento que desenvolve; a expiação passa a ser suportada com paciência e resignação. Depois, à medida, que aquele se torna mais sincero e profundo, vem surgindo o desejo de reparar, de expiar e progredir, com o auxílio de novas provações. 

E DEUS PERDOA E CONCEDE AO CULPADO QUE SE ARREPENDEU E SUBMETEU A GRAÇA DA REENCARNAÇÃO.

domingo, 21 de junho de 2015


08/11/1970
BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO

P - Estamos estudando, no ponto em exame, os versículos 31 e 32 do Evangelho segundo Mateus, 28 e 29 segundo Marcos, 10 segundo Lucas. O que mais nos prende a atenção é esta afirmativa de Jesus: "TODOS OS PECADOS E BLASFÊMIAS SERÃO PERDOADOS AOS HOMENS, MENOS A BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO, QUE NÃO O SERÁ. O QUE ALGUÉM DISSER CONTRA O FILHO DO HOMEM SER-LHE-Á PERDOADO, MAS NÃO TERÁ PERDÃO, NEM NESTE SÉCULO NEM NO FUTURO, O QUE ALGUÉM DISSER CONTRA O ESPÍRITO SANTO". Como interpreta estas palavras o Espírito da Verdade?

R - Por essa forma, Jesus patenteava, em primeiro lugar, a diferença que há entre ele (não obstante a sua essência superior, na sua origem e na sua posição espiritual) e o Senhor Onipotente, Criador do Universo.

Já sabeis que, no entender dos judeus, O ESPÍRITO SANTO ERA A INTELIGÊNCIA MESMA DE DEUS. FALANDO, POIS, ÀQUELES HOMENS DA BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO, JESUS SE REFERIA À BLASFÊMIA CONTRA O PAI CELESTIAL, SENHOR DE TODOS OS MUNDOS. Consiste a blasfêmia em negar a Deus, em acusar de injustiça ou erro Aquele que é TODO AMOR, TODA A CIÊNCIA E TODA A JUSTIÇA, EM SUMA - A VERDADE ABSOLUTA.

Qual o crime que se pode comparar a esse? A blasfêmia contra Deus não constitui a maior ofensa que se lhe possa fazer? Se numa família, os filhos se revoltam contra o irmão mais velho, ainda que este represente o Pai, cometerão falta menor do que se insultarem e injuriarem o próprio pai. Ora, a mesma relação, no que diz respeito ao Cristo, podeis estabelecer, lembrando-vos de que ele personifica a Moral Divina que PREGOU MAIS POR EXEMPLOS DO QUE POR PALAVRAS.  

Quanto àquela "Ameaça de penas eternas", feita pelo Mestre, não existe. Para os hebreus, de acordo com os seus preconceitos, escrituras e tradições, os termos eternidade, na eternidade, eterno ou eternamente tinham dois sentidos, podiam ser tomados em duas acepções diversas. No sentido absoluto quando empregados relativamente a Deus, designavam a ETERNIDADE PROPRIAMENTE DITA. No sentido relativo, quando empregados com relação aos homens, designavam uma duração imensa, MAS POR MAIOR QUE FÔSSE, LIMITADA, CONDICIONADA A TER FIM.

Basta verificar estas passagens do Velho Testamento: Êxodo, XV: 18 - "O Senhor reinará para todo o sempre"; Miquéias, IV: 5 - "Porque todos os povos andam cada um em nome do seu deus; mas, quanto a nós, andaremos em nome do Senhor nosso Deus para todo o sempre"; Esdras, X: 3 - "Segundo o conselho do Senhor e dos que tremem ao mandado do nosso Deus, tudo seja feito segundo a Lei"; Josué, XIV: 9 - "Então Moisés naquele dia jurou, dizendo: Certamente a terra será tua e de seus filhos, em herança perpétua, pois perseveraste em seguir o Senhor meu Deus"; Isaías, LVII: 15-16 - "Porque assim diz o Altíssimo, o sublime que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas também moro com o contrito e abatido de espírito. Pois não contenderei para sempre, nem me indignarei continuamente; porque, do contrário, o espírito definharia diante de mim e se extinguiria o fôlego da vida que Eu criei". 

Proferindo aquelas palavras dos versículos 31 e 32 de Mateus, 28 e 29 de Marcos, 10 de Lucas (que só a Nova Revelação poderia explicar umas pelas outras, tornando-as - perfeitamente reunidas todas - COMPREENSÍVEIS EM ESPÍRITO E VERDADE, À LUZ DO NOVO MANDAMENTO), o Cristo entregava às interpretações humanas o conjunto delas. E os homens as interpretaram falsamente, dando ao vocábulo ETERNIDADE sentido absoluto, quando Jesus o empregara em sentido relativo. Não compreenderam que, no pensamento do Mestre, se tratava de uma eternidade relativa, de "mais de um século" de "mais do que o século vindouro", modo pelo qual objetivava ele dar uma ideia da extensão do castigo, da sua "duração imensa", qualquer que fosse a palavra dita contra Deus, na intenção de negá-lo, de o acusar de erro ou de injustiça.

Entretanto, não censureis os que erroneamente interpretaram as palavras de Jesus: REALMENTE, TUDO TEM SUA RAZÃO DE SER, AS FALSAS INTERPRETAÇÕES HUMANAS, CAUSADAS PELO ESTADO DAS INTELIGÊNCIAS, PELAS NECESSIDADES DA ÉPOCA E DOS TEMPOS QUE SE SEGUIRAM, SERVIRAM ÀQUELE TEMPO E PREPARARAM O CAMINHO DA NOVA REVELAÇÃO.

sábado, 20 de junho de 2015


07/11/1970
QUEM NÃO É POR MIM É CONTRA MIM

P - O CEU da LBV está esclarecendo uma série impressionante de dúvidas. Todos sentem, agora, que o Evangelho tem de ser explicado EM ESPÍRITO E VERDADE, SEMPRE À LUZ DO NOVO MANDAMENTO. Uma afirmação do Cristo merece capítulo à parte: "Quem não é por mim é contra mim". Como a interpreta o Espírito da Verdade?

R - Versículo 30 do Evangelho segundo Mateus: "Quem não é por mim é contra mim, quem comigo não junta - espalha". Versículo 23 do Evangelho segundo Lucas: "Quem não está comigo está contra mim: quem comigo não entesoura - dissipa". Significa: QUEM NÃO SEGUE A LEI DE JESUS, ISTO É, A DOUTRINA DO NOVO MANDAMENTO, DELA SE APARTA. LOGO, ESTÁ CONTRA ELE, PORQUE SEGUE CAMINHO OPOSTO AO QUE POR ELE FOI TRAÇADO. 

A profecia do Mestre terá de se cumprir, queiram os chefes religiosos ou não. Os que insistem na supremacia do seu sectarismo estão opondo obstáculos à vontade daquele que formou a Terra, o Cristo que declarou: "HAVERÁ UM SÓ REBANHO E UM SÓ PASTOR". 

Para ele, sem cuja permissão ninguém está no vosso mundo, todos são naturalmente cristãos, nos diferentes graus da escala evolutiva. Assim, "quem comigo não junta - espalha" e "quem comigo não entesoura - dissipa". Todo aquele que não caminha pela estrada que Jesus abriu, preferindo os atalhos das religiões humanas, prega o separatismo fanático e suicida. Dispersa, espalha e desnorteia as ovelhas do Bom Pastor. Por conseguinte, quem age assim não reunirá os tesouros que o Senhor reserva para os justos. Quem se desvia desse caminho, fascinado pelas doutrinas de preceitos humanos, DISSIPA ESSES TESOUROS E PERDE PRECIOSO TEMPO, QUE DARÁ PESADAS CONTAS.

Quanto às divergências dos Evangelhos Sinóticos, repetimos: não leveis em conta as ligeiras diferenças que se notam nessas três narrativas - Mateus, Marcos e Lucas. Como sabeis, Jesus repetia muitas vezes, aos hebreus que o cercavam, os mesmo ensinos, sem, contudo, usar as mesmas palavras. Ele tinha de apropriar suas lições às inteligências e às necessidades daqueles que as recebiam. Daí as "diferenças" referidas.

Lembrai-vos desta observação que vos fizemos: CADA EVANGELISTA NARRA FATOS MAIS OU MENOS SEMELHANTES, OCORRIDOS COM PEQUENOS INTERVALOS, MAS CUJAS PARTICULARIDADES NÃO COINCIDEM PERFEITAMENTE. CADA UM, DENTRO DO QUADRO QUE LHE FOI TRAÇADO, RELATA SOB A INSPIRAÇÃO MEDIÚNICA O QUE VIU, OUVIU OU SOUBE POR INFORMAÇÃO DIGNA DE CRÉDITO. SOBRETUDO, LEMBRAI-VOS DE QUE ISSO ATESTA A VERACIDADE DOS EVANGELHOS!

sexta-feira, 19 de junho de 2015


06/11/1970
O VALENTE ARMADO

P - Achamos perfeita analogia do nosso Posto Familiar com aquela passagem do homem valente que guarda a sua casa. Como o Espírito da Verdade a interpreta para nós?

R - Harmonizemos Mateus, XII: 29-37, Marcos, III: 27-30 e Lucas, XI: 21-23 e XII: 10.

         Mateus: 29 - Disse Jesus: "Como poderá entrar alguém
         na casa do homem  valente e roubar-lhe  as  alfaias,  se
         antes não o amarrar? Depois disto é que lhe  saqueará
         a casa.    30 - Quem não é por mim é contra mim; quem
         comigo não junta - espalha.      31 - Eis porque vos digo:
         todas as blasfêmias  e  todos  os pecados serão perdoa-
         dos aos homens, menos a  blasfêmia  contra  o  Espírito
         Santo, que não o será.   32 - O que alguém disser contra
         o Filho do  Homem  ser-lhe-á  perdoado;  mas  não  terá
         perdão, nem neste século nem no futuro, o que alguém
         disser contra o Espírito Santo.     33 - Se uma árvore for
         boa, o seu fruto será bom: se for má, seus  frutos  serão
         maus, pois pelo fruto é que se conhece a árvore.      34 –
         Raça de víboras, como podeis, sendo maus, dizer   boas
         coisas? A boca diz aquilo que está cheio o coração. 35 –
         O homem que é bom tira boas coisas do bom tesouro, e
         o homem mau tira coisas más do mau tesouro. 36 - Ora,
         eu vos digo que os homens, no dia do julgamento, pres-
         tarão contas de toda palavra ociosa que houverem pro-
         ferido.   37 - Pelas tuas palavras te justificas, pelas tuas
         palavras te condenas".

         Marcos: 27 - "Ninguém pode entrar na  casa  de  um  ho-
         mem forte e lhe roubar os bens, se antes  não  o  manie-
         tar; só depois disto conseguirá saquear-lhr a casa.   28 –
         Em verdade vos digo que aos  filhos  dos  homens  serão
         perdoados todos os pecados que hajam  cometido  e  to-
         das as blasfêmias que hajam pronunciado.     29 - Mas a-
         quele que houver  blasfemado  contra  o  Espírito  Santo
         não terá perdão na eternidade: será réu de  delito  eter-
         no".    30 – Jesus  falava  assim  porque diziam:  "Ele está
         possesso de um Espírito impuro".

         Lucas: 21 - "Quando um homem valente guarda, armado,
         a entrada de sua casa, tudo o que ele possui está em ple-
         na segurança.  22 - Mas se outro mais forte vem e o  ven-
         ce, levará consigo todas as armas em que ele  confiava  e
         se apossará de seus haveres.      23 - Aquele que não está
         comigo é contra mim; aquele que comigo não entesoura
         - dissipa". XII: 10 - "Se alguém falar contra o Filho do Ho-
         mem, isso lhe será perdoado; mas não terá perdão aque-
         le que blasfemar contra o Espírito Santo".

Jesus, o temos dito tantas vezes, falava aos homens daquela época a linguagem que lhe era adequada; a linguagem que, convindo ao momento não comprometia o futuro que, ao contrário, era preparado e salvaguardado PARA SER COMPREENDIDO E IMPRESSIONAR A IMAGINAÇÃO DOS HOMENS DAQUELE TEMPO, O MESTRE USAVA DE IMAGENS MATERIAIS, E TODAS ENCERRAVAM UMA ADVERTÊNCIA, UMA LIÇÃO, UM ENSINAMENTO. 

Ele o disse: "O espírito, é que vivifica: as palavras que vos digo são espírito e vida". Para vós outros chamados a receber a Nova Revelação e a compreender por meio desta o sentido e o alcance daquelas palavras, é que elas foram pronunciadas. Sabei, portanto, tirar sempre da letra o espírito, a fim de aprenderdes o pensamento do Cristo, o sentido verdadeiro de seus ensinamentos. 

Dizendo o que consta dos versículos 29 de Mateus e 27 de Marcos, ALUDIA JESUS AO PECADO QUE, PONDO CERCO AO HOMEM, O RODEIA DE SEDUÇÕES PARA DELE SE APODERAR. E, UMA VEZ QUE O HAJA EMPOLGADO, O DESPOJA DE TODAS AS SUAS VIRTUDES. Suas palavras eram, portanto, simbólicas ou emblemáticas. 

Vs. 21 e 22 de Lucas - O homem pode estar certo de vencer desde que se mantenha forte contra si mesmo, vigilantes sobre a sua consciência, pronto sempre a combater os maus instintos, os maus pendores e as más paixões. Se, porém, se descuida, se cai na voluptuosidade e no sono da consciência, nele penetram os vícios, e lhe impõe suas algemas e terminam por escravizá-lo. Tomam-lhe, uma a uma, todas as armas, arrancando-lhe uma a uma, as boas resoluções, por fim as virtudes e, depois de o terem suplantado VOLTAM CONTRA ELE AS SUAS MESMAS ARMAS, PORQUANTO AS VIRTUDES PERDIDAS SE TORNAM VÍCIOS.

Quem não pratica o mal deve praticar o Bem que lhe é oposto, pois se negligencia em praticar o Bem inevitavelmente cai no mal. Aquele a quem falta caridade não é egoísta e orgulhoso? Aquele que se esquece de seu Deus não se torna ímpio? O mesmo se dá com as virtudes que não são praticadas: tomam o seu lugar os vícios, que elas, se cultivadas, poderiam destruir. 

Estas palavras do versículo 22 de Lucas: "e se apossará de seus haveres" não são emblemáticas relativamente às inteligências para as quais falava o Mestre: são o complemento da figura material que ele apresentava aos judeus. Quem quer que como ladrão penetra na casa de outrem, o desarma e amarra, há de ter, necessariamente um objetivo material. Por esta razão é que Jesus acrescentou: "e se apossará de seus haveres". Sem este complemento, os hebreus não teriam compreendido o motivo do proceder do ladrão, porque do seu ato não colhia qualquer proveito. 

Certamente os vícios, que substituam as virtudes no coração daquele que adormece confiante em si mesmo, não tiram proveito das virtudes destruídas, MAS O TIRAM DA DESTRUIÇÃO DELAS, DO SEU BANIMENTO DO CORAÇÃO EM QUE FLORESCIAM, NO SENTIDO DE QUE ASSIM LOGRAM PENETRAR LÁ, ONDE DE OUTRO MODO NÃO TERIAM ACESSO: LOGRAM ALOJAR-SE LÁ, ONDE NÃO TERIAM ENTRADO: DESPOJAM PORTANTO, AS VIRTUDES DO ASILO QUE LHES FORA PREPARADO. 

TODA A VIGILÂNCIA É POUCA, NOS LARES DO NOVO MANDAMENTO. E, POR ISSO, É QUE JESUS INSISTE, RECOMENDANDO SEMPRE: ORAI E VIGIAI! 

  A DOUTRINA DO CEU   P – Qual a Doutrina do Centro Espiritual Universalista da LBV?   R – Ela unifica, neste fim de ciclo, todos os...